segunda-feira, 4 de março de 2013

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO DOS SURDOS

Gladis Dalcin

Excelente trabalho sobre psicologia e educação dos surdos.
Clique no título abaixo para ler  o texto completo
Psicologia da Educação dos Surdos

domingo, 24 de junho de 2012

INTÉRPRETE VIRTUAL DE LIBRAS

Programa de computador traduz textos para a língua de sinais, usada pelos surdos


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Visitantes




segunda-feira, 21 de novembro de 2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Zélia Duncan - Todos os Verbos - LIBRAS(acompanhe a letra abaixo)

Abraçar é quente
Beijar é chama
Pensar é ser humano
Fantasiar também
Nascer é dar partida
Viver é ser alguém
Saudade é despedida
Morrer um dia vem
Mas amar é profundo
E nele sempre cabem de vez
Todos os verbos do mundo

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Um exemplo a ser seguido. CLIQUE E VEJA

Universidade Estadual de Londrina (UEL) passa a oferecer provas na Língua Brasileira de Sinais (Libras)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

terça-feira, 10 de maio de 2011

Atividades artísticas para surdos

Alunos surdos cantam, dançam e interpretam na aula de Arte

Trabalhar música, dança e teatro com alunos surdos ainda é raridade. Conheça três exemplos de professores que fazem isso com qualidade

terça-feira, 1 de março de 2011

Falta dar ouvido ao surdo

Ensino de escrita a deficiente auditivo precisa ser revisto no Brasil, defendem linguistas. Despreparo da escola para lidar com esse aluno especial prejudica aprendizagem.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

SURDOCEGUEIRA: UM VERDADEIRO DESAFIO

Surpreendeu-me o interesse provocado por um tema que publiquei neste blog a respeito da surdocegueira. Foram mais de 500 comentários de educadores e profissionais afins indicando a necessidade de uma atenção especial sobre a questão. Gostaria de responder a todos, mas só pude fazê-lo aos que postaram e-mail. Portanto, peço aos que desejarem aprofundar o assunto, entrar em contato comigo pelo e-mail pecegons@terra.com.br, que terei muito prazer em responder. Posso adiantar que já existem trabalhos importantes sobre surdocegueira no Brasil e existem muitos surdocegos brasileiros. Como leitura indico o livro DESCOBRINDO A SURDOCEGUEIRA: EDUCAÇÃO E COMUNICAÇÃO,  de FATIMA ALI ABDALAH ABDEL CADER-NASCIMENTO E MARIA DA PIEDADE RESENDE DA COSTA. Recentemente visitei a cidade de Prata, interior de Minas Gerais, onde participei de um encontro festivo com a presença de vários surdocegos. Eles formam uma pequena comunidade e se comunicam com muita inteligência e sensibilidade. Existem filmes relatando a experiência da surdocegueira nos Estados Unidos e na Rússia. Este é realmente um tema intrigante e que merece a atenção dos nossos governantes e profissionais da área.
Veja todos os comentários em:
http://psisurdos.blogspot.com/2009/11/surdocegueira.html#comments

sexta-feira, 20 de agosto de 2010


Ponto de encontro*

Talvez haja um lugar
Entre a voz e o silêncio,
Entre o grito e o olhar,
Onde haja música, feita de luz e cores,
Onde as mãos repousam
E os sons se tornam brisa,
Onde tudo se diz, sem palavras, sem gestos,
E o coração toca o coração,
A alma sente a alma.

Um ponto de encontro
Onde surdos e ouvintes se compreendam
Sem saírem de seus mundos.
Onde cada um saiba ouvir e ver
Mesmo que não haja palavras
Nem imagens.
Onde se abracem sem medo
E sem preconceitos.
Certamente essa esfera existe
Além do nosso olhar, do nosso ouvido,
Em algum lugar do nosso coração.


*homenagem aos nossos irmãos surdos
Paulo Cesar Gonçalves

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Conheça o desafio das escolas indígenas em educá-los na língua portuguesa, no idioma da aldeia, na linguagem de gestuais própria da tribo e na língua brasileira de sinais

terça-feira, 13 de abril de 2010

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

SURDOCEGUEIRA




DE LAURA BRIDGMAM AOS DIAS DE HOJE (*)
“É maravilhoso ter ouvidos e olhos na alma.
Isto completa a alegria de viver.”
Helen Keller

Laura Bridgmam, nascida em 1829, é conhecida como a primeira pessoa surdocega educada com sucesso. Surdocega desde os 2 anos, entrou no Instituto Perkins, em 1837, onde foi educada pelo Dr. Samuel Gridley Howe.
Desde então, a resumida literatura sobre o tema: desenvolvimento da pessoa surdocega, vem demonstrando que quando esses indivíduos têm a oportunidade de receber a devida atenção em algum Centro ou Serviço onde são oferecidos programas de atendimento especializado, é possível encontrar, nessa comunidade pessoas realizadas e participantes, em diferentes países.
Os exemplos a seguir não deixam qualquer dúvida quanto à predisposição que todos os indivíduos trazem consigo de superar suas limitações sempre que lhes são oferecidas oportunidades de novas experiências.

 

BERTHA GALERON DE CALONNE (1859/1934)

Nascida em Paris, quando tinha 6 anos de idade perdeu a visão, provavelmente, devido ao descolamento de retina, em ambos os olhos, provocado por uma pancada na cabeça ao rolar a escada de sua residência. Aos 30 anos perdeu a audição.

Terminou o curso básico e aprendeu o Sistema Braille com as freiras do Convento de São Paulo, na sua cidade natal. Mais tarde, quando seu pai foi nomeado professor de literatura no Liceu de Rennes (região da Bretanha)  Bertha iniciou seus estudos de Filosofia. Voltando a Paris, no entanto, não quis continuar o Curso pois, como seu pai, sentia uma forte atração pela Literatura, mais precisamente pela poesia.
Em 1887, envia parte dos originais de sua antologia poética “Dans ma nuit” a Stephan Mallarme para que os avaliasse. Mallarme, numa longa carta, tece elogios à obra e acrescenta: “Sua poesia é pura e eterna.”
Em 1889, sem que os médicos soubessem explicar a causa, acordou, uma manhã, completamente surda de um ouvido e quase surda do outro. Um ano depois estava totalmente surda. Ainda assim, continuou escrevendo com a mesma inspiração, serenidade e ternura as poesias que enriqueceram as sucessivas edições de sua antologia poética.

 

RAGNHILD KAATA  (1873/1947)

Nasceu em Vester Slidre - Noruega,

em 14 de maio de 1873. Aos 4 anos de idade, foi acometida por uma grave enfermidade, que os médicos não puderam diagnosticar, em conseqüência da qual perdeu a visão, a audição, o olfato e o paladar.
Aos 14 anos foi admitida, como aluna interna, no Instituto para Surdos de Hamar - Noruega – cujo Diretor, Elías Hofgard, assumiu a tarefa de educá-la. Após  alguns meses de perseverantes e infatigáveis esforços, Ragnhild começou a pronunciar algumas palavras.
Em vista desse sucesso foi iniciada no aprendizado do Sistema Braille e assim, chegou a ter amplos conhecimentos de Geografia, Gramática e Aritmética.
Entretanto, desenvolver atividades de trabalhos manuais era o que mais gostava. Sua extrema habilidade em tecer qualquer tipo de trama, fazer meias e os mais variados artigos de malha, lhe permitiu ganhar seu próprio sustento quando saiu do Instituto de Hamar, aos 22 anos.

HELEN KELLER (1880/1968)
É, sem dúvida, a mais conhecida e um dos mais extraordinários exemplos de coragem e força de vontade. Com a inestimável ajuda de sua incansável professora Anne Sullivan, mostrou ao mundo as imensas possibilidades do ser humano.
Helen Keller nasceu no Alabama – Estados Unidos. Perdeu a visão e a audição quando tinha 1 ano e meio de idade, em conseqüência, provavelmente, da Escarlatina. Anne Sullivan Macy, indicada por Alexandre Grahan Bell - amigo da família - para educar a pequena Helen, iniciou seu trabalho tentando estabelecer a comunicação com a criança ao relacionar os objetos às palavras através da soletração do alfabeto manual. Helen, que nessa ocasião não havia completado ainda os 7 anos, aprendeu, assim, a soletrar, com o uso das mãos, várias palavras, embora nenhum indício levasse a crer que a criança tivesse consciência do significado das mesmas. Foi quando Anne Sullivan colocou as mãos de Helen Keller sob a água que era bombeada do poço e soletrou a palavra “água”, com o alfabeto manual, que os sinais atingiram sua mente com um significado claro. Ao fim daquele dia, Helen já estabelecera a relação de 3 dezenas de palavras com os objetos do mundo ao seu redor. Logo, ela aprendeu os alfabetos braille e manual e, aos 10 anos, iniciou a aprendizagem da fala.
A partir de então, com a ajuda de Anne Sullivan, não mais parou sua escalada em busca de novos conhecimentos. Assim, aos 24 anos recebeu seu diploma de Filosofia na Universidade Radcliffe e, continuando sua trajetória, fez jus, ao longo de sua vida, a inúmeros títulos, homenagens e diplomas honorários em reconhecimento por seu trabalho em prol do bem estar das pessoas cegas e surdocegas e, sobretudo, pelo exemplo vivo das imensas e ricas possibilidades do potencial humano.
Entre 1946 e 1957, Helen Keller visitou 35 países, inclusive o Brasil, onde esteve em diversas entidades públicas e particulares. Realizou palestras, participou de conferencias e mesas-redondas, foi entrevistada e recebeu homenagens. Por essa ocasião, em maio de 1953, quando de sua visita ao Rio de Janeiro, esteve no Instituto Benjamin Constant, onde recebeu carinhosas homenagens de alunos e funcionários.
No dia de sua morte, o Senador Lister Hill, do Alabama, assim se expressou:
“Seu espírito perdurará enquanto o homem puder ler e histórias puderem ser contadas sobre a mulher que mostrou ao mundo que não existem limitações para a coragem e a fé”.

EUGENIO MALOSSI (1885/1930)
Nascido em Avellino - Itália, perdeu a visão e a audição quando, aos 2 anos de idade, contraiu Meningite.
Em 1895, teve início sua educação graças à dedicação do professor Francisco Artusio, do então recém fundado “Instituto Domenico Masturcelli”.
Ainda adolescente produzia, em seu bem equipado ateliê, os mais variados trabalhos de artesanato e, deixando aflorar sua vocação pela mecânica, consertava qualquer máquina que apresentasse algum problema.
Porém sua sede de saber não se limitava ao artesanato e à mecânica.
Assim, com a ajuda de uma amiga, chegou a aprender vários idiomas, o que lhe possibilitou ler, no Sistema Braille, obras de mecânica de diversos autores estrangeiros.
Aos 40 anos, foi nomeado professor de mecânica do “Instituto Paolo Colosimo”, em Nápolis, onde, com sua personalidade enérgica e firme, desenvolveu um trabalho preciso e profícuo.
Em uma de suas viagens visitando uma fábrica, em Berlim, exclamou observando a avançada tecnologia da maquinária: “Cada dia estou mais agradecido a Deus por me ter dado a vida.”

OLGA IVANOVNA SKOROJODOVA (1914/1987)
Nasceu numa aldeia ao Sul da Ucrânia. Aos 5 anos de idade teve Meningite e, como seqüela da doença, ficou surda, cega e paralítica. Com grande esforço conseguiu voltar a andar com a ajuda de uma muleta que às vezes usava como bengala.
Dotada de férrea força de vontade e ardente desejo de aprender, aos 11 anos de idade, começou a ser educada professor Ivan Sokolyanski, chegando mais tarde a doutorar-se em Psicologia e Ciências Pedagógicas.
Olga gostava de corresponder-se com pessoas cultas, tendo conservado algumas cartas que lhe escreveram várias personalidades. Dentre estas destaca-se uma datada de 3/1/1933, e assinada pelo conhecido escritor Gorki:
“Querida Olga, sua vida é simplesmente um milagre; um desses maravilhosos vetores de luz tanto do nosso trabalho como de todo espírito elevado.”
Ao longo dos seus 73 anos de vida, publicou várias obras, muitas delas traduzidas para diversas línguas. Num de seus livros “Como percebo e imagino o mundo que me cerca”, descreve suas impressões da natureza e da vida cotidiana:
“Sinto que uma vida intensa se desenvolve ao meu redor e anseio participar dela como todos os seres humanos.”

CESAR TORRES CORONEL (1917/1985)
Nascido em Madrid, tinha 22 meses de vida quando perdeu a visão e a audição em conseqüência da Varíola.
Ao completar 7 anos teve início sua educação no “Colegio Nacional de Sordomudos y Ciegos”, na mesma Madrid, sob a orientação da excepcional pedagoga Rafaela Rodrigues Placer, que durante 13 anos se dedicou inteiramente à educação do rapaz. Assim, Cesar obteve o título de Bacharel no “Instituto Cardenal Cisneros”, graças a uma férrea força de vontade e ao incentivo e orientação de sua mestra.
Fiel cumpridor de suas obrigações, respeitado e querido tanto pelos seus superiores como por seus colegas de trabalho, viveu dignamente até o fim de sua vida unicamente de seu salário.

DR. ROBERT J. SMITHDAS (1925)
Nasceu na Pensylvania - Estados Unidos no dia 7 de junho. Ficou cego e mais tarde totalmente surdo, em conseqüência da Meningite, quando tinha 4 anos e meio de idade.
Aos 25 anos recebeu seu diploma de Bacharel em Artes da Universidade de St. John. Foi agraciado, ainda, com os graus honorários: Dr. em Letras do Gaullaudet College e Dr. em Humanidades pela Western Michigan University.
Trabalhou no Setor de Relações Comunitárias do Lar Industrial para Cegos e, em 1977, foi Diretor de  Educação Comunitária do Centro Nacional Helen Keller, demonstrando com sua atuação profissional que a surdocegueira não é impedimento para metas educacionais.
“É importante que o surdocego conheça tanto suas limitações como seu potencial; mas é de igual importância que as pessoas com quem ele convive também as conheçam”.
Robert Smithdas

LEONARD C. DOWDY (1927)
Nasceu no Missouri - Estados Unidos. Perdeu a visão e a audição quando tinha 1 ano e meio de idade.
Estudou na “Perkins School” onde aprendeu Matemática, Geografia, História e toda espécie de trabalhos manuais em madeira e metal.
Trabalhou na Companhia Peterson de Manufatura onde desenvolveu atividades nas linhas de montagem das bombas para pneus e de faróis dentre outras “muitas e variadas coisas.”
Casado com Beth K. Dowdy, também surdocega, construiu no terreno de sua casa, com a ajuda de um amigo, a sua própria oficina de carpintaria onde costuma pôr em prática o seu hobby: trabalhar com madeira.
Quando, em 1977, participou, em São Paulo, do “I Seminário Brasileiro de Educação de Deficiente Audiovisual em sua palestra:
“Depois de morar em um apartamento por 5 anos, após o nosso casamento, compramos a nossa casa. Sendo donos de uma casa nós podemos ter experiências muito duras, mas nós gostamos mais do que viver num apartamento, onde nada acontece de especial.”

VALISE AMADESCU (1944)
Nasceu na Romania, no dia 4 de setembro. Perdeu a visão e a audição em conseqüência da Meningite, quando tinha 2 anos e meio de idade.
Aos 11 anos iniciou sua educação na Escola Especial para Cegos, em Cluj, Romania, onde com sua enérgica professora Miss. Florica Sandu, aprendeu a falar e adquiriu os conhecimentos básicos.
Mais tarde, com a ajuda de outros professores, alargou seus conhecimentos estudando História, Literatura, Geografia, Matemática e Física.
Formou-se em Psicopedagogia na Universidade de Cluj. Logo a seguir empregou-se como professor na Escola Especial para Cegos, na mesma cidade, onde exerce a função com a ajuda de sua professora Georgeta Damian.  
“Eu estou convencido que o caminho que eu escolhi, embora bastante difícil, pode ser trilhado com sucesso por qualquer pessoa deficiente.”
Valise Amadescu
Poderíamos citar muitos outros exemplos de pessoas surdocegas que lograram o desenvolvimento máximo de suas potencialidades. No entanto, estes poucos relatos são a prova incontestável da validade dos programas de Educação Especial nessa área onde oportunidades, atenção e respeito são dispensados a essas pessoas da mesma forma que, a todo ser social, nos diferentes programas educacionais.
 


 
DECÁLOGO DO SURDOCEGO
Declaração aprovada na IV Conferencia Mundial “Helen Keller”
realizada em Estocolmo, em setembro de 1989.
1- Todo país deve realizar o senso de sua população surdocega;
2- A surdocegueira é uma deficiência única e não a simples soma das duas deficiências surdez e cegueira, assim requer Serviços especializados;
3- É imprescindível a formação de profissionais altamente especializados em todos os países. Quando, em algum país, não for possível formar esses especialistas, deverá ser solicitada a ajuda de outras nações;
4- A comunicação é a maior barreira para o desenvolvimento pessoal e a educação do surdocego, por este motivo o ensino de métodos de comunicação eficazes deverá ser priorizado;
5- Todo país deverá oferecer oportunidades para a educação do surdocego;
6- O surdocego pode ser alguém produtivo assim, devem ser criados programas de integração profissional;
7- Deverá ser dada atenção à formação de intérpretes, profissionais imprescindíveis para a independência do surdocego;
8- Devem ser criados sistemas residenciais alternativos, independentes, para o surdocego, que atendam suas necessidades e aptidões;
9- A sociedade tem obrigação de permitir ao surdocego a participação em atividades de lazer e recreação, em interação com a comunidade;
10- É essencial que a sociedade tome conhecimento das possibilidades e necessidades do surdocego para que possa exigir o apoio governamental e comunitário na criação de Serviços.
“Deficientes ou não deficientes, somos todos seres humanos, vivendo no mesmo planeta e partilhando do mesmo destino. O que a vida exige de nós, senão dar o melhor de nós mesmos, para nós e para os outros?”
Richard Kinney
Richard Kinney é Educador, Conferencista e Poeta surdocego. Detentor de inúmeros títulos e prêmios, é autor da obra didática “Independent Living Without Sight and Hearing”
MARGARIDA A. MONTEIRO - Professora e Coordenadora do Programa de Atendimento ao Surdo-Cego do Instituto Benjamin Constant

(*) Fonte: Site do Instituto Benjamin Constant- Rio de Janeiro: http://www.ibc.gov.br/




segunda-feira, 26 de outubro de 2009

REPENSANDO O CONCEITO DE SURDEZ
por
Ana Maria Portugal Gomes
Fonoaudióloga

Definição de surdez no modelo clínico-terapêutico:
• Um termo muito usado neste modelo é deficiência auditiva e sugere a redução ou ausência da capacidade para ouvir determinados sons, devido a fatores que afetam o aparelho auditivo.
• Distúrbio de audição, diminuição da capacidade auditiva em diferentes graus de intensidade, podendo ser de caráter transitório ou definitivo, estacionário ou progressivo.
• "É a ausência, dificuldade, inabilidade para ouvir sons específicos, ambientais e os sons da fala humana." (Silvania Maia Silva Dias - Fonoaudióloga)
Neste modelo, "o surdo é considerado uma pessoa que não ouve e, portanto, não fala. É definido por suas características negativas; a educação se converte em terapêutica, o objetivo do currículo escolar é dar ao sujeito o que lhe falta: a audição, e seu derivado: a fala." (Carlos Skliar - Fonoaudiólogo - Argentino)
"Medicalicar a surdez significa orientar toda a atenção à cura do problema auditivo, à correção de defeitos da fala, ao treinamento de certas habilidades menores, mais que a interiorização de instrumentos culturais significativos, como a língua de sinais. E significa também opor e dar prioridade ao poderoso discurso da medicina frente à débil mensagem da pedagogia." (Carlos Skliar - Fonoaudiólogo - Argentino)

Nesta visão clínico-terapêutica:
Utiliza-se de uma pedagogia corretiva; existe a intenção de correção, normalização; emprega-se currículo para educandos com atraso cognitivo; currículo para ouvintes; currículo para pessoas com dificuldades lingüísticas; currículo audiológico/audiométrico; currículo de beneficência laboral.

Definição de surdez no modelo sócio-antropológico:
É uma concepção moderna da surdez defendida em todo o mundo por profissionais de várias áreas de interesse da surdez, em especial lingüistas, pedagogos e professores, psiquiatras e até fonoaudiólogos. Esse modelo baseia-se nos novos modelos lingüísticos, psicolingüísticos e sóciolingüísticos que culminam em alternativas pedagógicas onde o surdo possui uma representação social oposta ao modelo anteriormente citado.
• "A surdez é uma condição natural e não uma deficiência/doença que necessita de cura." (Lorena Koslowski - PR)
• A surdez é uma diferença que deve ser respeitada e aceita.
• Como afirma Carlos Sánchez - lingüista venezuelano: "A surdez não é uma doença que necessita de cura, mas é uma condição que deve ser aceita. Os surdos não são inválidos que precisam de reabilitação. Eles são membros de uma comunidade lingüística minoritária que deve ser respeitada e possuem o direito inalienável de receber sua educação nesta língua." E ainda ele afirma sobre a criança surda:"Seu filho é normal; pode ser inteligente, criativo. Só que ele fala outra língua".

Algumas considerações importantes:
"Preferimos que aos três, quatro anos a criança surda construa frases complexas em língua de sinais do que produza palavras isoladas" (Graziella Alisedo - Argentina - 1994)
"A educação deve voltar-se para os potenciais da criança que podem ser ativados através da tarefa educativa".(Vygotsky)
"A língua de sinais é a única que permite a pessoa surda ascender a todas as características lingüísticas da "fala". (Danielle Bouvet, França, 1989)
"A língua de sinais é, portanto, indispensável para total apropriação da linguagem pela criança surda. Ela permite à criança surda descobrir o que é comunicação lingüística no momento em que todas as crianças fazem esta descoberta."(LK)


Na visão sócio-antropolológica:
• deve-se oportunizar o acesso da criança surda à língua de sinais o mais precoce possível;
• oportunizar o contato da criança surda com seu pares surdos adultos para permitir a identificação e o acesso a particularidades culturais;
• preocupar-se com o desenvolvimento das estruturas cognitivas e lingüísticas nas idades correspondentes;
• novo olhar sobre a educação de surdos: o conhecimento formal é acessado através da língua de sinais e se vale de estratégias que enfatizam o potencial porque "os surdos são diferentes das pessoas ouvintes, necessitam que toda a instrução seja baseada na visão e não na audição." (Patrícia Luiza Ferreira Pinto - pedagoga surda - MG)


Bibliografia:

• Fórum Permanente de Educação, Linguagem e Surdez - vol.I (Jan./Jun.) Rio de Janeiro - INES
• Surdez: Abordagem Geral - Karin Lilian Strobel & Silvania Maia Silva Dias, 1995 - FENEIS
• Série Audiologia 1,2,3,4 - 1998 - INES
• Educação e Exclusão - Cadernos de autoria 2 - Carlos Skliar (Org.) Editora Mediação
• La Educación de Los Surdos - Carlos Skliar - Série Manuales - EDIUNC
• Apostila: "Atención Integral del Niño Sordo de 0 a 6 Anos - Modelo Educativo Bilingüe y Bicultural" - Carlos Sánchez - Instituto de Estudios Interdisciplinarios Sobre La Sordera y El Lenguaje (IES) - Puerto Ayacucho - Venezuela - 1998

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Mundo dos surdos


Empresa de correios indiana contrata apenas surdos 16/03/2010

 

Mote é ser um negócio social e não caridade

Da redação
A Mirakle Couriers é uma empresa de correios de Bombaim, na Índia, cujo diferencial é empregar apenas pessoas surdas. A ideia é eliminar o estigma social do povo indiano em relação aos portadores da deficiência, que somam cerca de 6% da população do país. Salvo o fundador e o diretor de operações, todos os empregados da Mirakle Couriers são surdos, inclusive os entregadores. O modelo é baseado no conceito de criar um serviço empreendedor e rentável e que transforme os deficientes auditivos em parte da comunidade economicamente ativa. Por enquanto, o serviço está disponível apenas em Bombaim, mas a direção planeja a expansão para outras cidades indianas e até mesmo outros países.

A empresa foi fundada por Dhruv Lakra, ex-banqueiro de investimentos. Insatisfeito com a situação estigmatizada na Índia, resolveu fundar a Mirakle em 2008. Para ele, é importante entender que sua intenção é realmente ser um negócio social e não uma forma de caridade. Seu maior interesse é desenvolver modelos de negócios que garantam o ganho financeiro e social. Atualmente, a Mirakle atende várias outras empresas de portes variados em Bombaim, como agências de publicidade, hotéis, empresários e galerias de arte.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Psicóloga Surda




Quando adolescente, uma forte gripe fez com que Anita Gonçalves, 35 anos, perdesse parcialmente a audição. Segundo ela, adaptar-se ao novo mundo foi uma tarefa complicada, que exigiu amadurecimento e aceitação da nova condição.


Atividades que antes eram entendidas como normais, passaram a ser motivo de frustração. Atravessar a rua, por exemplo, exigia atenção redobrada. "Não sabia de onde vinha o barulho de motos e carros", conta. Ouvir música, participar de conversas, assistir televisão, tudo passou a ser diferente, por conta da limitação auditiva.


Atualmente, Anita é psicóloga, atua no departamento de recrutamento e seleção da empresa Blue Life e é pós-graduanda em comunicação pela Faculdade Cásper Líbero. Ela afirma que o fato de ter adquirido uma deficiência lhe mostrou novos caminhos e fez com que ela aprendesse a enxergar a vida de uma forma diferente, valorizando qualidades e não problemas. Tanto que acabou descobrindo a vocação em lidar com jovens surdos e hoje os auxilia em períodos pré-vestibulares como orientadora vocacional.


Foi difícil aceitar que havia perdido parte da audição? Como foi o início de sua adaptação à nova condição?

No início foi difícil, apesar de minha perda ser parcial. Em algumas situações, conseguia ouvir normalmente. Em outras, não compreendia nada e ficava angustiada com esta ambigüidade. Cheguei a sentir vergonha, receio de errar, fiquei retraída e insegura. Resolvi fazer terapia, o que me ajudou muito. Aprendi a ver outras possibilidades de desenvolvimento e de realização. Aprendi a olhar o que tenho de bom e não só o que me falta. Minha terapeuta sempre dizia: "Você é mais que isto."A adaptação começou no momento que encontrei profissionais habilitados e competentes que me orientaram a utilizar aparelhos auditivos e me auxiliaram no período de adaptação, que é bem difícil, mas superei todos os desafios com muita coragem e determinação.

O que lembra da época de faculdade? Enfrentou dificuldades por conta
de não ouvir perfeitamente?

Sempre fui muito dedicada. Prestava muita atenção nas aulas, sentava na primeira carteira, procurava ler os textos com antecedência, após as aulas relia minhas anotações e tirava dúvidas com professores e amigos. O maior desafio foi lidar com as brincadeiras bobas dos colegas. Mas procurei relevar e pensar nas pessoas que me apoiavam, que eram as minhas amigas de fato e admiravam a minha força de vontade.


Você comenta que no dia-a-dia da profissão há situações que você não compreende. Como age nesses momentos?

Trabalho numa sala grande e em que as pessoas conversam entre si.Muitas vezes, percebo que a pessoa falou, mas não compreendo o conteúdo. Presto muita atenção na linguagem verbal e principalmente na não verbal. O deficiente auditivo tem uma capacidade surpreendente de guardar imagens, desenvolver a memória visual, ter concentração e atenção. Se não entendo, peço para repetir quantas vezes forem necessárias. O importante é ter certeza do que você ouve.


O que faz para não deixar que a deficiência prejudique o desempenho profissional?
A primeira coisa que faço é confiar em Deus. Acredito que Ele nos coloca neste mundo para evoluirmos. Então, encaro a deficiência como um desafio.Ser boa em tudo que faço independente de ouvir melhor, ou pior. Procuro desenvolver outras potencialidades, tais como capacidade de observação, análise e reflexão. Estudo muito, leio tudo que cai nas minhas mãos para estar sempre atualizada. Se não tenho dinheiro para comprar revistas, vou às lojas, bibliotecas públicas e internet. Nunca me acomodo, pois se tem algo que ninguém tira de você é cultura, informação e conhecimento.


Quando teve contato com surdos no Colégio Radial teve a oportunidade de aprender a lidar melhor com sua deficiência auditiva?

Sem dúvida. Foi o divisor de águas da minha vida. Fiquei muito emocionada quando tive o primeiro contato, pois me identifiquei muito com eles, já que sentia na pele todos os desafios e dificuldades que enfrentavam no dia-a-dia. Acredito que nada é por acaso, pois foi no Radial que comecei a pensar na possibilidade de trabalhar com deficientes, em especial o auditivo. É uma atração, interesse e respeito recíproco, pois procuro mostrar que é possível chegar lá.

Como é o trabalho de orientação vocacional? Qual o objetivo?

O objetivo principal é auxiliar os jovens a fazer sua escolha profissional. Procuro estimulá-los à reflexões, à consciência de seus valores, dons, habilidades e preferências. Demonstro a importância da escolha profissional, que deve ser pautada na realidade sócio-econômica de cada um. Por exemplo, se o jovem precisa trabalhar não pode optar por um curso que exige dedicação integral. É necessário ter os pés no chão, para evitar abandono de curso e gastos desnecessários.

Muitos jovens optam por profissões da moda, influenciados pela TV, e por acreditam que ficarão ricos e famosos. Procuro mostrar os principais desafios do mercado de trabalho e como pode ser o futuro de cada profissão. Oriento e acompanho na descoberta do novas possibilidades de crescimento e desenvolvimento, para que sejam profissionais mais felizes e, conseqüentemente, mais competentes.


A metodologia de trabalho é igual para qualquer pessoa? O fato de a pessoa ter uma deficiência exige uma atuação diferente de sua parte?

Procuro utilizar a mesma metodologia. Apenas quanto a forma de aplicá-la é que preciso da ajuda de um intérprete, para algumas palavras e expressões mais difíceis ou abstratas. Gosto de me envolver no processo, procuro interagir ao máximo com as pessoas, pois acredito que isto enriquece a troca de conhecimentos e experiências, o que é fundamental.


Qual a importância da orientação vocacional?

Diante de tantas carreiras disponíveis, fica difícil prever o futuro profissional, mas, através da orientação vocacional, procuramos sinalizar quais são as aptidões e interesses mais relevantes. O importante é manter o entusiasmo pela opção feita, sabendo que sempre é possível mudar.


Para você, o que dificulta a ampliação do mercado de trabalho para profissionais com deficiência?
Na minha opinião, antes de falarmos em emprego, precisamos discutir o sistema Educacional, que deve ser inclusivo, com professores e equipamentos adequados para atender a todos os alunos. Muitos deficientes estão fora da escola, o que é preocupante, pois, para serem profissionais bem ajustados e realizados, terão que ter conhecimentos e habilidades básicas. Não acho correto reservar vagas operacionais para deficientes.


Por outro lado, o processo seletivo é feito com seriedade, independente da condição de deficiência que um candidato possa ter. Ouvi muitos relatos de gerentes de multinacionais que dizem que têm vagas mas não conseguem preenchê-las, pois não encontram profissionais com formação e experiência adequadas. Minha sugestão é que participemos mais ativamente na formação e desenvolvimento de pessoas com deficiência, pois só assim haverá igualdade de condições para se concorrer a oportunidades em todos os níveis hierárquicos. Aprendi que é "crer para ver" e não "ver para crer". Se não acreditasse no ser humano, em sua potencialidade, capacidade de realização e transformação, não estaria aqui concedendo esta entrevista para a Sentidos.


"Não existe oceano maior que a determinação humana". Lars Grael.